Nossas lembranças, as poucas que tivemos, insistem em me recordar o que vivemos.
Isso não acontece sempre, mas, com tanta tecnologia somos esmagados com as facilidades de guardar lembranças em lotes automáticos e digitais.
No passado, teríamos que revelar as fotos e provavelmente das quatro ou cinco tiradas, uma, no máximo, ficaria razoável para guardar.
A duração das coisas tem diminuído consideravelmente, assim como as relações.
Os aplicativos de relacionamento nos avisam o tempo todo o quanto que assim que dispensarmos a pessoa que está na nossa frente seja na tela, ou ao vivo, outra aparecerá e poderá ser a nossa próxima pessoa favorita até que a gente descubra algo que a torne descartável e assim o ciclo continua infinitamente...
E no meio disso um lembrete de novo. De um dia feliz, ou melhor, de um momento feliz.
Não sei porque essas lembranças se repetem quando na verdade elas deveriam nos relembrar apenas 1 vez a cada ano.
Mas eu admito que quando elas aparecem pra mim, de uma forma ou de outra, meu primeiro pensamento é de lamento: que pena!
Sim, lamento por saber que tínhamos chance e potencial, mas não tínhamos timing. Enquanto eu ia você voltava e vice-versa.
Quando duas pessoas brincam no cabo de guerra o objetivo é que alguém ganhe fazendo com que o outro avance até o seu lado.
Na nossa brincadeira você largou a corda antes de começarmos o campeonato.
Que pena! Penso novamente e balanço a cabeça.
Sim, eu balanço a cabeça fazendo um não com ela meio inconformada. Você não deixou que a brincadeira começasse.
Você deixou aqueles momentos felizes gravados na nuvem, perecível assim como nós.
