5 de abr de 2010

Que apaguem os holofotes e fechem as cortinas

As frases repetidas, insistentes não mostram o caminho...
Elas vão caindo no normal, no comum, no dia-a-dia.
Saem com a mesma facilidade que temos ao acordar.
Olhando para trás parece que estamos no mesmo tempo, pois são os mesmos hoje, só muda a personagem!
O ator que é cada vez mais convincente, ensaia com tanta destreza, com tanta certeza que já faz parte do papel.
Não há mais dúvidas, ele representa tanto que tudo isto se transformou em sua própria vida.
Já não sabe mais reconhecer o que é dele e o que não é. Se utiliza das mesmas frases, justificativas, desculpas e lágrimas para pessoas diferentes.
Sorri igual, respira igual, fala igual, beija igual e ama igual.
Sua necessidade de ensaiar este papel tira sua lucidez, seu centro, sua tranquilidade, embora não note. Para ele tudo faz parte de um mesmo contexto.
Seus passos que já caminham conforme o ensaio, não andam mais por si, não se encontram!
E sua platéia quando assiste ao espetáculo pela primeira vez: aplaude, admira, respeita e dá todo o suporte para ele seguir, mas quando o assiste pela segunda vez, não tem mais dúvidas, pois percebem que tudo: ator, personagem e texto fazem parte de uma grande farsa.

Um comentário:

Mariana disse...

Não é a toa que antigamente peças teatrais eram chamadas de "farsas".

O teatro é sempre algo lindo. Retrata o cotidiano ou espelha deliciosas fantasias. Mas acaba, e os atores precisam voltar para o seu real...

Viver no personagem é doentio...

Acontece que, (in)felizmente, sempre existiu platéia para o teatro....E afinal, quem somos nós se não um conjutos de 'personas', 'máscaras' e 'farsas' cabíveis para nossa realidade?

Até que ponto, estamos certos que nossos 'teatros' não ferem outros espectadores....?

Eu ando filósofa demais, né amiga?

Beijos carinhosos...

Beijos

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