18 de abr de 2008

Aquela coisinha...

Quando eu era pequena, tinha uma boneca que chamava Betina. Ela era uma bebê boneca linda com cheirinho de neném, tinha uma chuquinha pequena no ralo cabelo e sua roupa era um vestidinho rosa claro lindo! Era raro me ver sem ela nas mãos! Doeu quando tive que doar Betina!
Sempre fui apaixonada por cães, mas meu pai não possui o mesmo amor que eu a eles, pos isto tive 3: Dolly (ainda não existia o Guaraná), Pituca e Tutti. Todos eles foram dados para alguém quando eu não estava em casa. Em todos eles chorei quando soube do ocorrido. Hoje tenho Nina, mas ela é quase gente e meu pai aceita...
Tive um amor platônico por volta dos meus 14/15 anos. Ele era surfista. Era meu vizinho de prédio na praia. Eu sabia todos os passos dele: que horas acordava, que horas saia para surfar, que horas passava em frente ao meu prédio para eu dizer: Oi! e ele simplesmente falar: "beleza?". Enfim, eu era praticamente uma espiã. Um dia ele foi embora de lá e achei que nunca mais fosse vê-lo. Chorei por dias de tanta saudade.
Quando maior, conquistei amigas e amigos, fiz amizades fortes e importantes, mas também perdi algumas pelo caminho.
Meus namoros sempre foram traumáticos. Sentia-me abandonada, rejeitada mesmo quando eu que terminava.
Até que um dia dei de cara com o fim da vida. Mamys, depois de muito lutar, teve que deixar este plano e partir para novos horizontes. Por mais dolorido que tenha sido, sabia que ela precisava partir, só não queria que me deixasse aqui...
Aquela coisinha chamada apego me persegue e eu não sei exatamente qual é o remédio para não sentir mais. Procurei nestas farmácias alternativas e me disseram que a solução é um remédio chamado "desapego". Toca eu sair em desespero a procura dele. Passei de farmácia em farmácia, uma a uma e ninguém sabia me dizer onde eu encontrava este remédio.
Foi ai que cansei e voltei para casa. Já estava exausta de tanta busca e tanta correria para achar o tal desapego.
Deitada na minha cama pensando (pois ultimamente é esta a função da cama: fazer pensar) descobri onde acho este tal remédio.
Ele não está em farmácia, supermercado, padarias, botecos, bares, baladas, hospitais, bancas de jornais ou no noticiário da TV.
Ele está dentro de cada um. Dentro de cada passo que damos e para cada valor que damos as coisas. Quanto mais deixarmos as coisas "fluirem", acontecerem naturalmente sem aquela obrigatoriedade do controle, do
possuir, mais elas estarão ao nosso redor. E este é o melhor remédio. não tem contra-indicação, mas exige força de vontade.
Tem que ter garra para olhar para a Betina, Dolly, Pituca, Tutti, amigos, namorados e simplesmente nao deixar aquela coisinha me dominar.
Tem que ter garra todos os dias para termos motivação necessária para não desistir, mas hoje eu já sei que não vai ser procurando feito louca em cada estabelecimento desta cidade o tal remédio que eu vou me sentir livre. E sim vivendo!

7 comentários:

João Eduardo Q. C. disse...

Que belo texto, bela! Sôfrego e tão verdadeiro que meus olhos marejaram.

Bjs e um super fim-de-semana!

João Eduardo

Quelzinha disse...

Eu também chorei!!
Também estou precisando aprender a achar o tal do "desapego"!!
Beijão!!

Juliana Full disse...

kê, vc num acredita o quanto eu procuro esta boneca Betina que vc menciona no seu texto... na verdade eu procuro o irmão dela, o Betinho que não encontro menção em lugar nenhum.

bjs

disse...

Ju
É a Ju que sempre passeia aqui ou é uma outra Ju.
Se for a Ju quanto tempo não me visita, se for outra Ju...se apresente e seja bem vinda!

Bjos para as duas rs

cileide disse...

Nossa! Vc me emocionou!Eu estava fazendo um trabalho pra faculdade sobre patrimônio e deparei com um texto simples, engraçado e emocionante com o qual me identifiquei acima de tudo com a tal boneca Betina q eu tb tive e o amor pelos animais. Tomei a liberdade de colca-lo como anexo no meu trabalho pois nenhum doutor, especialista viajado traduziu a concepção q eu "particularmente" tenho de patrimônio. Seus créditos tb serão colocados no trabalho com seu texto, na íntegra. Coloquei tb o endereço do seu blogue.

Obrigado!

cileide disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
disse...

Cileide, pena que não deixou seu e-mail! Obrigada por ter colocado os créditos, por ter avisado que os colocou e por ter me emocionado também!
Volte sempre!
Estarei te esperando!
Um beijão
PS - espero que tenha uma boa nota no trabalho!

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