30 de set. de 2009

Recebido, não dado

Queria
Um sorriso não meu
Um afago
Um afeto
Recebido, não dado
Queria um cafuné
Um carinho
Uma atenção no meu caminho
Um apoio

Cheiro de fome
Respiro de mar
Ouvido de amor
Silencio no ar

Nada disto paga
O silencio doce de quem sabe amar

18 de set. de 2009

A vida é assim

Dirigir numa estrada onde a mão é dupla, os faróis não se fecham, os carros quase nunca param, exige atenção...
O carro na minha frente não me vê.
Estou em seu ponto cego.
O carro de trás quer me ultrapassar.
A mão é dupla e só existe uma via para cada lado.
Eu vejo os dois carros agora: o da frente está querendo ultrapassar o que está à sua frente e buzina muito.
Eu começo a sentir o mesmo desespero, pois os dois carros querem ultrapassar.
Começo a dar farol e buzinar descompassadamente, sem pensar.
Os motoristas da outra pista nos olham com decepção.
O nosso destino é o mesmo deles, só que eles já chegaram ao final e sabem o que nós vamos encontrar e o que teremos que enfrentar, mas nós ainda não.
No ímpeto de querermos chegar logo ao final, ultrapassamos na curva, corremos riscos, buzinamos desesperadamente, exaltamos nossas falas e acabamos discutindo com tudo e todos.
Não percebemos que todos os carros irão chegar.
Todos têm sua hora de chegar ao fim da estrada.
Correr só faz perdermos os grandes momentos da viagem.
A vida é assim!

13 de set. de 2009

Até o fim

Suas rugas não dizem idade
E sim cumplicidade
Seus caminhos tortos
Seus passos em falso
Tudo isto é fato
Mas toca como flauta em meus pensamentos
Seus cabelos, já não tão castanhos
Já tão brancos
Já nem tantos
Não assustam
Me instigam
Seu modo sensato em dizer apenas o necessário
Às vezes nem o necessário
Me calam
E fazem-me observar
Ao léu
Distante
Nossas mãos já não tão lisas
Mostram que amadurecemos
Mas elas continuam a andarem juntas
Todas as manhãs pelo parque
Uma parada no banco da praça
Um beijo carinhoso no rosto
E a volta para casa
Passamos o dia juntos
E a noite também
Não tão quente como antes
Não tão criativa como fomos
Mas juntos, como planejamos

9 de set. de 2009

O ponto é final.

Nem mais, nem menos
Apenas assim
De qualquer jeito
Ou a toda hora
Apenas para mim
Sem mais, nem menos
Não importa
Sua vista torta
Cai em minha direção
E se...
De alguma forma
A nossa hora
Não for agora
Por mais ou por menos
Me avise
Pois saberei
Que nestas horas
Tanto faz
Se mais ou menos

20 de ago. de 2009

São duas linhas

Uma menor, mais fina, mais ágil.
A outra embora mais velha e mais espessa, não tem tanta habilidade ou experiência
Elas vivem na mesma caixa de costura.
Uma delas tem o sonho de ser a linha que junto com os fios de ouro vestirão a princesa.
A outra aceita ser passada por qualquer peça de roupa, contanto que seja útil.

São duas linhas
Uma mais bonita
Outra menos
Na verdade as duas são lindas linhas, mas uma delas não sabe que é
Quando encontra a outra linha fica se criticando e dizendo que deveria ser melhor
- Melhor pra quem? Pensa ela mesma.
Sei la, talvez para aquele carretelzinho pequeno.
Todos gostam dele, todos o querem.

Estas duas linhas já fizeram muitas costuras juntas.
Já costuraram casacos, blusas, calças, cachecóis, meias..
Já enfeitaram bordados e lindos broches
Elas até já passaram noites e noites acordadas na gandaia

São duas linhas
E uma delas está chegando ao seu final
Não caminhou ao encontro do arco-iris
Não costurou as roupas do rei
Não fez grandes feitos
Mas decidiu parar de se costurar
Ela vivia passando por pessoas que nem conhecia e que nem tinham a ver com ela
Decidiu se aposentar da vida de linha

A outra linha, mais nova
Continua na espera dos fios de ouro
Traça planos, metas e crê que em breve será a linha mais conhecida da caixa de costura.

Enquanto isto, a linha mais velha, mais espessa, menos experiente, serve de base para aquela pipa, que voa, voa, voa...

13 de ago. de 2009

Contra-mão

Tenho medo do conselho
Da mao que indica
Da palavra que agita
Da permissão da palavra sim

Estranho o objeto censurado
O cavalo empacado
E toda cor que não foi pintada
Indico ao meu tempo
O vento
Só ele sabe o que é melhor fazer

O inverno aquece a minha alma
Embora meu corpo esteja frio
O quente que sinto
Não é de mim

Do correr do seu sangue
Da razão da sua confusão
Da sua indecisão decidida
De todo e qualquer medo em vão

Tenho medo
Da permissão da palavra sim

8 de ago. de 2009

Foi

Olhando de fora
O que vem de dentro
Sinto o aperto imenso no peito
Não sei se choro
Não sei se falo
Não sei por quanto
E nem ao mesmo tempo se tanto
Talvez o espaço entre nós seja assim
Apertado
Doído, mas ao mesmo tempo intenso
É por isto que sem hesitar insisto
Deste mal terei que parar
E se para isto tiver que me ausentar
De mim
Que seja assim

  © Blogger template Werd by Ourblogtemplates.com 2009

Back to TOP