24 de jul. de 2014

Os invisíveis

José, Maria, Ana, Renato, Joel, Fernando e tantos outros...
Eles tem nome.
Eles tem história.
Eles tem vida e muito a dizer, mas não dizem.
Não dizem muitas vezes porque as pessoas não os enxergam, não os reconhecem como seres humanos.

Dependem da caridade de alguns, que por sorte vão tomando força para se tornarem muitos.

Hoje, a minha cama teve outro sentido.
Hoje, a minha coberta teve outro valor.
Hoje, meu café com leite alimentou a minha alma.
Meu banho quente, minha água para tomar, minha moradia se tornaram motivo de agradecimento constante e, confesso, até um pouco de vergonha.

Participar de alguma forma da vida do José, da Ana, do Renato, do Joel, do Fernando entre tantos outros nos tornam minúsculos (como grãos de areia) diante da imensidão da simplicidade, humildade e do amor ao próximo que eles tem.

Eu tenho muito a agradecê-los. Fizeram ver o quanto ainda sou mesquinha, egoísta e o quanto reclamo da vida. Quem sabe, com sorte, eu tenha o mesmo desprendimento que eles tem e o mesmo sorriso que eles nos dão.

Muito bom saber que pessoas como a Marcela e o Lucas existem. Muito bom saber que muitas outras pessoas se sensibilizam e de alguma forma contribuem para que projetos como o "Entrega por SP" exista e se espalhe.

Muito bom saber que eu não sou a única e que posso dizer que participei de algo realmente enriquecedor.

Quem quiser saber um pouco mais acesse o facebook: https://www.facebook.com/entregaporsp 


6 de mai. de 2014

O colo essencial...

Ela deixou tudo preparado.
Amigos. Cachorro. Confidentes. Bons ouvintes.
Dividiu seus dons e sabedorias entre várias pessoas para quando eu precisasse dela fosse só juntá-los num mesmo local que ela se faria presente.

Foi inteligente. Do começo ao fim.
Sabia que a partida seria um alívio, para ela.
Sabia que a partida seria uma tristeza, para nós.
E por isso sempre que possível ressaltava os benefícios do seu tchau (como se isto fosse assim, como conta de matemática).

Eu utilizava argumentos não muito lógicos, confesso, para fazê-la ficar só mais um pouquinho. Usava o apelo emocional, dizia que ela ir embora sem esperar pelos meus filhos seria uma desfeita tamanha, principalmente por ela ter conhecido os filhos das minhas irmãs...(aquelas crises típicas de ciúmes, mas neste caso era subterfúgio).

E ela só dizia: " - Então resolve isso logo!" e ria.
Eu sabia que era uma forma dela rir e uma maneira de dizer o quanto meu amor egoísta exigia a sua presença.

Juntando todas aquelas pessoas que ela distribuiu seu dons encontro um pouquinho dela e agradeço por aqueles que aceitaram receber seus dons.

Passado alguns anos ainda me pergunto o que ela me diria para fazer agora ou será que ela me apoiaria nas decisões atuais. As respostas nem sempre são claras, mas normalmente volto àquele tempo em que ela estava aqui do meu lado e imagino sua resposta.

Meu maior presente sempre será lembrá-la.
Dizer, ou melhor, gritar para a maior quantidade de pessoas a sorte grande que tive em encontrá-la e a sorte dela ter aceitado a tarefa de ser minha mãe.
A saudade será eterna, mas sempre com um sorriso infinito assim como o seu!

Partir não dói. Ficar me parte.



24 de fev. de 2014

Dividindo a mala

Mas eles não querem conhecê-la
Não querem entendê-la
Eles apenas precisam...
E o precisar é muito mais um ato egoísta do que um ato altruísta

E ela precisa de mais
Ela quer mais
Ela quer conhecer o mundo, mas não sozinha
Ela busca o mundo com alguém para lhe mostrar além
Ela quer ver aquela flor que está escondida embaixo da árvore, toda tímida
Ela quer tirar uma foto de onde ninguém nunca tirou

Ela até pode carregar o mundo nas costas, mas quer dividir o peso

7 de dez. de 2013

Atemporal: o tempo do amor verdadeiro

Neste caso o tempo é indiferente
Porque saudades não tem prazo
Anos passados ou não ela continua aqui
Seja nos questionamentos que faço sobre a vida
Ou quando penso: o que ela faria?
Seja num café que faço ou uma música que ouço
Ela é um presente, mesmo tendo partido no passado

Amar também é deixar partir
E eu a deixei ir
E ela me deixou seguir

Em planos diferentes seguimos lado a lado
Mas nossos corações continuam batendo juntos

Partir, deixar partir, permitir, seguir à diante
O que vale nesta vida é fluir



26 de out. de 2013

Perder

Todos os dias perdemos algo...
Seja uma proposta melhor de emprego, uma amizade que acabou ficando mais distante por conta de um casamento, dos filhos ou distância territorial, um não aqui o outro ali.

Perder faz parte da vida, mas não fomos criados e nem ensinados a perder.
Queremos ganhar a todo custo. Precisamos estar dentro do padrão imposto pela sociedade.
Precisamos fazer parte daquela fatia, seja o tamanho que esta fatia for.

Seja a melhor nota da escola, o primeiro da turma, a mais bonita da sala, a escolhida para a noivinha da festa junina e conforme crescemos mudam as exigências, mas continuamos com a missão de ganhar!

Por acaso alguém já parou para pensar no que ganhamos com a perda?
Partir é deixar de estar ali e quem fica tem que aprender a conviver com esta ausência. A partida de alguém ou algo é a oportunidade que você precisa para seguir sozinho.

Tudo vai depender da forma que você olhará esta perda. A dor em alguns casos é inevitável. Deixe fluir, deixe as lágrimas caírem, mas depois reaja, confie em você, aceite a si mesmo.

Ninguém quer dizer aqui que perdas são legais, mas muitas vezes a perda faz com que aprendamos a andar por si só, o que é essencial.

Viemos para a Terra sozinhos e deixaremos ela sozinhos também.
Ou seja, estaremos conosco o tempo inteiro desta existência.
Devemos ter a melhor convivência possível com a gente mesmo porque só assim faremos uma paisagem muito mais confortável.


19 de out. de 2013

Injeções afetivas

É como uma injeção entrando na veia
Você sente a picada, o gelado do líquido e depois o alívio
Você sabe que para aquele momento é exatamente aquilo que precisa

O remédio faz efeito. Você se recupera. As dores passam e ai você já não sente a necessidade daquela injeção porque embora tenha aliviado, doeu. E muito.

Algumas relações são assim: por mais que você as queira você evita ao máximo porque sabe que elas irão doer, irão machucar mas por algum período te darão um alívio.

Você só não sabe por quanto tempo este alívio ficará presente...


13 de out. de 2013

Aperte o "voltar"

E quanto mais o tempo passa mais eu olho pra trás e sinto saudades daquilo que já foi pedindo para que o tempo não passe, mas ele passa e quando a gente vê não construímos nada daquilo que sonhamos um dia em ter. 

Meus filhos, aqueles que eu sonhei em ter com os meus 30 anos, além de nem existirem ou se quer estarem à caminho, se vierem não conhecerão pessoas importantes para mim e perderão a oportunidade de estarem junto dessas pessoas.

Minha mãe não poderá ensinar aos meus filhos o verdadeiro valor da palavra amor. Não terá as palavras certas na hora certa e muito menos poderá ser a avó que eles pediram a Deus. Eles nem saberão o quanto ela foi especial.

Minha vida está passando. O que eu construi até agora? E você?

Quanto mais o tempo passa mais eu peço para que ele congele...mas ele insiste em me contrariar.

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